Lesões da pele: quando se retira, quando se examina, quando se acompanha
O que você encontra aqui
A maioria das pessoas chega ao consultório com uma pergunta prática, “dá para tirar isso?”, e a resposta honesta quase nunca é sim ou não imediato. Antes de retirar qualquer coisa da pele é preciso saber o que é aquilo. Essa ordem não é burocracia: retirar uma lesão sem saber o que ela é pode apagar justamente a informação que faria o diagnóstico.
Esta página reúne o que costuma trazer as pessoas até aqui: pintas, verrugas, acrocórdons (as “verruguinhas” do pescoço), queratoses e cistos. Ela explica como é a avaliação, o que é uma biópsia, como são os procedimentos feitos em consultório, o que acontece depois e o que esperar da cicatriz.
Primeiro entender, depois decidir
Boa parte das lesões que preocupam é benigna e não precisa de nada além de uma explicação. Outras precisam ser retiradas. E algumas precisam ser retiradas de um jeito específico, para que o exame ao microscópio possa ser feito.
O que separa esses três caminhos é o exame. A dermatoscopia, um aparelho que amplia e ilumina a pele, mostra estruturas invisíveis a olho nu e ajuda a decidir entre acompanhar e investigar. Ela acrescenta muita informação, mas não substitui o exame ao microscópio quando é preciso confirmação.
Há uma regra que considero inegociável: lesão pigmentada com aspecto atípico não se destrói. Nada de congelar, cauterizar ou queimar a laser uma mancha escura sem diagnóstico. O procedimento apagaria a lesão da superfície sem dizer o que ela era e, se fosse algo que precisava de tratamento, o diagnóstico ficaria para depois, em condições piores.
Sobre pintas especificamente, vale dizer o que a literatura sustenta: não há indicação de retirar uma pinta só porque ela existe. As razões aceitas para remover são a lesão que mudou, a lesão com aspecto clinicamente atípico, o incômodo estético e a irritação repetida: a pinta que a alça do sutiã machuca, que a gola atrita, que a lâmina de barbear corta toda semana. Quem tem muitas pintas atípicas costuma se beneficiar mais de acompanhamento com dermatoscopia e fotografias de comparação do que de remoções sucessivas.
Também é verdade o contrário, e prefiro dizer com franqueza: diante de dúvida real, o caminho é investigar. Uma lesão benigna retirada é um incômodo pequeno; um melanoma deixado para depois não é.
O que costuma aparecer na consulta
Pintas (nevos)
Manchas ou elevações escuras, presentes desde a infância ou surgidas ao longo da vida. A imensa maioria é benigna. O que chama atenção é a mudança (de tamanho, cor, formato) e a lesão que se destaca das outras da própria pessoa. Se você quiser conhecer os sinais em detalhe, eles estão em câncer de pele e dermatoscopia.
Acrocórdons (fibromas moles)
São as pequenas lesões moles e pendunculadas do pescoço, das axilas, das pálpebras e das virilhas, as “verruguinhas” que muita gente tenta arrancar com linha em casa. São benignas e comuns: metade dos adultos tem pelo menos uma. Aparecem em áreas de atrito, e existe associação descrita com sobrepeso, resistência à insulina e alterações metabólicas. Isso não faz do acrocórdon um exame de triagem nem motivo de alarme; é um achado que às vezes vale conversar.
Retirá-los é simples e resolve a lesão que está ali, mas não muda a tendência de formar novas em outros lugares. Vale saber disso antes, para a expectativa ficar no lugar certo.
Não retire em casa. Amarrar com linha, cortar com tesoura de unha ou usar produto comprado pela internet traz três problemas: sangramento sem controle, infecção e, o mais importante, a chance de estar tratando outra coisa: uma verruga, uma pinta, ocasionalmente algo que precisava de exame.
Verrugas
Causadas pelo HPV, têm superfície áspera e podem aparecer nas mãos, nos pés, no rosto e na região genital.
Verruga não é a mesma coisa que acrocórdon, e é a confusão mais frequente do consultório. Na prática, o acrocórdon é mole, pendunculado e da cor da pele; a verruga é mais firme, de superfície áspera, e costuma mostrar pontinhos escuros na superfície, que são pequenos vasos obstruídos. A diferença que mais importa: a verruga é uma infecção, pode ser transmitida e pode se espalhar para outras áreas da própria pessoa quando é coçada ou manipulada. O acrocórdon, não.
A página de verrugas e HPV trata do assunto com mais detalhe, inclusive vacina e prevenção.
Queratoses seborreicas
Lesões benignas, de superfície áspera e aspecto “colado na pele”, que aumentam com a idade. São inofensivas. O motivo de retirá-las costuma ser estético ou o atrito com a roupa. Merecem exame porque, em algumas apresentações, se parecem com outras lesões, inclusive com melanoma.
Queratoses actínicas
Lesões ásperas em áreas de sol acumulado, como testa, couro cabeludo com pouco cabelo, orelhas, dorso das mãos. Diferentemente das anteriores, essas são pré-malignas: uma parte delas pode evoluir para carcinoma. Costumam vir em grupo, porque a pele em volta também recebeu sol, e daí a ideia de tratar a área, e não só a lesão isolada.
A página de queratose actínica trata do assunto com mais detalhe: o que os números de risco realmente dizem, o que é o campo de cancerização, como é a recuperação de cada tratamento e o caso do lábio.
Cistos e lipomas
Nódulos sob a pele. Muita gente conhece o cisto epidérmico como “cisto sebáceo”, mas o nome popular engana: a parede dele é feita de células iguais às da superfície da pele, e não de glândula, e o que se acumula lá dentro é sobretudo queratina, a mesma proteína da camada mais externa da pele e das unhas. É daí que vêm a consistência pastosa e o cheiro forte quando o conteúdo sai.
Essa parede é a razão de espremer não resolver: o conteúdo sai, a cápsula fica no lugar e volta a produzir, muitas vezes com o cisto inflamando depois. Quando ele está inflamado e doendo, o primeiro tratamento é da inflamação, e às vezes é preciso drenar; a retirada completa da cápsula fica para quando a pele acalmar, porque operar no meio do inchaço dá resultado pior.
O lipoma é outra coisa: um acúmulo benigno de gordura, macio e móvel, sem o poro central que o cisto costuma ter e sem essa tendência a inflamar.
Mília, as bolinhas brancas que não são espinhas
As mílias são bolinhas brancas e firmes, de até cerca de três milímetros. Na criança maior e no adulto aparecem sobretudo no rosto, com preferência pelas pálpebras e pelas bochechas; no recém-nascido, mais no nariz. Cada uma é um cisto em miniatura, bem mais superficial que os descritos acima, com queratina dentro. É por isso que espremer costuma não resolver: para o conteúdo sair, é preciso abrir um ponto mínimo na pele.
Isso não quer dizer que valha tentar em casa, com agulha ou alfinete. A pele das pálpebras é fina e a região dos olhos não perdoa, e furar sem material estéril troca uma lesão inofensiva por uma infecção ou por uma marca que não existia.
Podem surgir sem causa aparente ou depois de algo que agrediu a pele naquele ponto, como um trauma, uma queimadura, uma bolha ou o uso prolongado de certos cremes. São muito comuns em recém-nascidos, em quem aparecem em quatro a cinco de cada dez, e nessa idade somem sozinhas em algumas semanas ou meses, sem tratamento nenhum. Nas crianças maiores e nos adultos são menos frequentes, mas costumam durar mais, e é aí que geram a dúvida sobre o que são.
Quando permanecem e incomodam, a retirada pode ser feita no consultório, por essa mesma abertura mínima. Como se trabalha apenas na camada mais externa da pele, a chance de ficar marca é pequena. Quando são muitas no rosto, existe também medicamento aplicado sobre a pele que ajuda a diminuí-las. A decisão de tratar costuma ser estética, porque a lesão em si é benigna.
Vale mostrar ao dermatologista quando muitas surgem de uma vez, ou quando elas aparecem sobre uma área que teve bolha, queimadura ou cicatriz. Nesses casos as bolinhas podem estar acompanhando outra condição, e o que interessa passa a ser essa condição, não elas.
Mília e cravo fechado se parecem por fora, e a confusão é comum, inclusive porque podem aparecer na mesma pele. Por dentro são coisas diferentes: a mília é um cisto em miniatura, e o cravo é a lesão própria da acne, formada dentro do poro. Distinguir os dois é o que define a conduta, e essa é uma distinção que a consulta faz melhor que qualquer texto.
A biópsia: por que às vezes o exame vem antes da resposta
Biópsia é retirar um pedaço da lesão (ou a lesão inteira) e mandar ao patologista, o médico que a examina ao microscópio. É ela que dá o diagnóstico com nome e sobrenome quando o exame clínico não basta.
Há mais de uma forma de fazer, e a escolha não é uma questão de preferência:
- Biópsia excisional retira a lesão inteira, com uma margem em volta. É o que se faz quando há suspeita de melanoma: a lesão precisa chegar completa e com a profundidade preservada, porque parte do que o patologista mede depende justamente disso.
- Biópsia incisional ou por punch retira um fragmento representativo. Útil em lesões grandes ou em doenças inflamatórias, quando o objetivo é caracterizar o processo e não remover tudo.
- Shaving (raspagem superficial) serve para lesões elevadas de aspecto claramente benigno, e o material retirado também vai para exame. Não é a técnica correta diante de suspeita de melanoma.
O resultado leva alguns dias e vem por escrito. Combino como você receberá essa informação e, quando o resultado exige uma conversa, ela acontece em consulta, não por mensagem.
Como são feitos os procedimentos
Todos são feitos no consultório e você vai para casa depois. A maioria é feita com anestesia local. A criocirurgia é a exceção, e explico isso abaixo. A técnica muda conforme a lesão:
- Exérese (retirada cirúrgica com pontos): a lesão é retirada em formato de fuso, com margem, e a pele é fechada com sutura. É o que permite mandar a peça inteira para exame.
- Shaving e curetagem: a lesão elevada é rebaixada rente à pele. A ferida fecha sozinha, sem pontos. Vale saber que o resultado habitual não é pele idêntica à de antes: costuma ficar uma marca levemente afundada, do tamanho da lesão que estava ali.
- Eletrocirurgia (o “cautério”): usa corrente elétrica para tratar a lesão e controlar o sangramento. Também é usada como auxílio dentro de uma cirurgia.
- Criocirurgia: congelamento com nitrogênio líquido. Muito usada em lesões benignas, em verrugas e em queratoses actínicas. Em geral é feita sem anestesia, porque o próprio frio adormece a região: o que se sente é uma ardência forte, como uma queimadura, durante a aplicação e por alguns minutos depois. Em lesões maiores ou mais profundas o desconforto dura mais, e aí a anestesia pode ser usada. Costuma formar uma bolha nos dias seguintes: isso é esperado, não é complicação. Os aplicadores autocongelantes vendidos em farmácia não são a mesma coisa: congelam pouco e de forma imprecisa, e trazem o problema de sempre: tratar sem saber o que é.
O que acontece na avaliação
Examino a lesão que incomoda você e também o resto da pele, e com frequência o que merece mais atenção não é aquilo que a pessoa veio mostrar. Uso a dermatoscopia sempre que a lesão pede.
Depois pergunto sobre:
- como a lesão se comportou: desde quando existe, se mudou, se sangrou, se coça ou dói;
- medicações em uso, especialmente anticoagulantes e antiagregantes;
- problemas de cicatrização anteriores, queloide na família, cicatrizes que ficaram grossas ou alargadas;
- diabetes, tabagismo e condições que afetam a cicatrização;
- medicamentos ou condições que baixam a imunidade (transplante, quimioterapia, imunossupressores), que mudam o risco de infecção e o tempo de cicatrização;
- marca-passo ou outro dispositivo eletrônico implantado, que muda a escolha da técnica de cauterização;
- alergia a anestésico, e aqui vale separar alergia verdadeira de mal-estar passageiro, que é bem mais comum e não contraindica nada (as perguntas frequentes, no fim da página, explicam a diferença);
- se você já desmaiou tirando sangue, no dentista ou vendo agulha: não impede nada, mas muda o preparo;
- doença do coração, arritmia, pressão alta e problema de tireoide, que pesam na escolha de usar ou não vasoconstritor junto com a anestesia;
- gravidez ou amamentação;
- doença do fígado, porque é lá que o anestésico é processado.
E converso sobre a cicatriz antes, não depois. É a parte da conversa que mais influencia a satisfação de quem retira uma lesão por motivo estético.
Sobre anticoagulante, uma orientação importante: não suspenda por conta própria. Quem decide sobre uma pausa é o médico que prescreveu, e na maioria das pequenas cirurgias de pele não é necessário parar, e o risco de interromper costuma ser maior do que o do sangramento local, que é controlável.
Depois do procedimento
- Curativo e higiene conforme a orientação que você recebe por escrito no dia.
- Não arranque a crosta. Ela sai sozinha; arrancar antes da hora piora a marca.
- Esforço físico costuma ser adiado por alguns dias, porque tensão na ferida alarga a cicatriz.
- Proteção solar sobre a cicatriz por meses. Cicatriz recente exposta ao sol escurece, e essa mancha pode levar muito tempo para clarear, e às vezes não clareia por completo. Evitá-la custa bem menos do que tratá-la depois.
Quando há pontos, o prazo para retirá-los depende da região do corpo, e a lógica é simples: onde a pele tem pouca tensão e boa circulação, os pontos saem cedo; onde há tensão e circulação pior, precisam ficar mais tempo. Na prática, isso vai de poucos dias nas pálpebras e no rosto a duas ou três semanas nas pernas. O prazo exato do seu caso eu combino com você.
A cicatriz, e o que dizer com honestidade
Toda retirada de lesão deixa marca. Não existe procedimento que retire algo da pele sem deixar nenhum sinal, e é melhor saber disso antes. O que se pode fazer é reduzir a marca: escolher a técnica adequada, respeitar as linhas naturais da pele, fechar sem tensão e cuidar bem do pós-operatório.
A cicatriz não fica pronta em duas semanas
Esta é a parte que mais gera susto desnecessário, então vale o calendário.
Nas primeiras semanas a cicatriz costuma ficar avermelhada, endurecida e mais aparente do que ficará no fim. Isso é o curso normal, não o resultado final. O amadurecimento continua por meses, e a fase de remodelação pode se estender por até cerca de dois anos, com a marca clareando e amaciando aos poucos. Julgar uma cicatriz aos trinta dias é julgar o meio do processo.
Quando a cicatriz cresce: hipertrófica e queloide
Duas coisas diferentes podem acontecer. A cicatriz hipertrófica fica grossa e elevada, mas respeita os limites do corte, e costuma melhorar sozinha ao longo dos meses seguintes. O queloide ultrapassa os limites da lesão original, invade a pele em volta e não regride sozinho, e é o que o diferencia, e é por isso que ele exige tratamento.
Algumas coisas fogem do controle da técnica, e é justo saber quais:
- a região do corpo. Tórax (sobretudo o meio do peito), ombros, dorso e o lóbulo da orelha são os lugares mais propensos. A orelha surpreende as pessoas justamente porque ali não há tensão nenhuma, o que mostra que tensão não explica tudo. Em compensação, pálpebras, palmas das mãos e plantas dos pés quase não formam queloide;
- a sua pele e a sua história. O queloide é várias vezes mais frequente em peles negras, e comum também em peles morenas e em pessoas de origem asiática. Ter feito queloide antes, ou ter parente próximo que faz, pesa bastante;
- a idade. É mais frequente entre a adolescência e os trinta e poucos anos.
Se você já formou queloide alguma vez, isso muda a conversa. A orientação dos livros de cirurgia dermatológica é direta: em quem tem essa tendência, desaconselha-se cirurgia estética não essencial, e o mesmo raciocínio vale para piercing, brinco e tatuagem. Para quem nunca teve, vale a proporção: um trabalho brasileiro registra que cerca de 2,5% das perfurações de orelha evoluem para queloide, e que furos feitos depois dos onze anos de idade se associam a risco maior. É pouco, mas quem já fez queloide antes não está nessa estatística. Quando a retirada é por motivo estético, essa é a hora de pesar com franqueza se a marca final não vai incomodar mais que a lesão.
E se a cicatriz não ficar boa?
Não é beco sem saída, e essa é a parte que costuma faltar. Cicatriz que engrossa ou que cresce tem tratamento, e o mais usado é a aplicação de medicação diretamente na lesão, e existem outras opções conforme o caso. O acompanhamento importa: o queloide pode reaparecer meses ou até anos depois, então “está bom” aos três meses ainda não é o veredito final.
Sobre o que se compra na farmácia para “não deixar marca”: entre os produtos disponíveis, os à base de silicone, em gel ou em placa, são os que têm a melhor sustentação em estudos. Já a vitamina E e os cremes com extrato de cebola, muito procurados, tiveram resultados decepcionantes ou sem diferença em relação ao comparador nos trabalhos publicados. Não custa combinar isso na consulta antes de gastar.
Riscos e o que pode acontecer
Procedimento pequeno não é procedimento sem risco. Os mais comuns são locais: dor leve nas primeiras horas, hematoma, inchaço e vermelhidão ao redor da ferida.
Podem ocorrer também sangramento após o procedimento, infecção da ferida, abertura parcial dos pontos, alteração de cor da pele no local (mais clara ou mais escura, sobretudo depois de criocirurgia) e cicatriz diferente da esperada. A mancha mais clara depois do congelamento é mais provável e mais visível em peles morenas e negras, porque as células que dão cor à pele são especialmente sensíveis ao frio; isso pesa na escolha da técnica. Em regiões onde passam nervos superficiais, existe a possibilidade de alteração de sensibilidade na área, na maioria das vezes transitória, mas que em alguns casos pode ser duradoura.
Duas coisas que prefiro dizer antes, para não virarem surpresa: a lesão pode voltar, dependendo do tipo (verrugas e queratoses têm essa tendência, e um cisto retorna se sobrar cápsula); e, quando o exame do material revela algo que precisa de tratamento adicional, pode ser necessária uma segunda etapa. Isso não é sinal de que algo deu errado, e é sempre explicado em consulta.
Há ainda um risco que não é da técnica, e sim da decisão: tratar sem diagnóstico. É exatamente por isso que a avaliação vem antes.
Quando procurar orientação rapidamente
Procure atendimento se, nos dias seguintes, aparecer:
- sangramento que não para com compressão firme e contínua por cerca de quinze minutos, e vale insistir: sem soltar no meio para conferir, porque é justamente isso que impede a formação do coágulo;
- dor que aumenta em vez de diminuir a partir do segundo dia;
- vermelhidão que se espalha, calor, inchaço crescente ou saída de secreção com pus;
- febre;
- abertura da ferida ou queda dos pontos antes do prazo.
Quando o procedimento é adiado
- Infecção ativa na pele do local: trata-se primeiro.
- Lesão pigmentada suspeita, para a qual a técnica destrutiva está descartada: aqui não se adia a investigação, muda-se o procedimento.
- Descontrole de doenças que afetam a cicatrização, como diabetes muito descompensado.
- Alterações da coagulação que precisem de avaliação prévia com o médico que acompanha você.
- Gravidez, para procedimentos eletivos e sem urgência diagnóstica, o que é necessário para diagnóstico não se adia por causa da gravidez.
Esta lista não substitui a avaliação: é na consulta que a sua situação é examinada.
Perguntas frequentes
Retirar uma pinta faz mal? Pode “espalhar” alguma coisa?
Não. Essa é uma crença antiga e persistente, e ela não se sustenta. Retirar uma lesão de forma adequada, com a técnica correta, é justamente o que permite saber o que ela é.
Dói?
A picada da anestesia é a parte desconfortável, e ela arde por alguns segundos. Quando faz sentido, dá para usar antes uma pomada anestésica na pele, que diminui bastante o incômodo da agulha, e quem tem medo de agulha pode pedir isso.
Depois da picada leva alguns minutos até a região adormecer. E aqui vale um aviso que evita susto: você vai continuar sentindo toque, pressão e puxão na área, e isso é normal, não quer dizer que a anestesia falhou. O que a anestesia bloqueia primeiro é a dor; a sensação de pressão demora mais a sumir, e às vezes não some.
A dormência costuma durar em torno de uma a duas horas, um pouco mais quando se usa anestésico com vasoconstritor. Nas horas seguintes é comum um incômodo leve, que analgésico simples resolve, e vale tomá-lo antes de a anestesia passar por completo, em vez de esperar a dor chegar.
Fico com uma mancha branca, o coração dispara… é alergia à anestesia?
Quase nunca é. Três coisas diferentes costumam ser chamadas de “alergia à anestesia”, e vale separá-las:
- a pele fica branca em volta do ponto da picada: é efeito do vasoconstritor, que fecha os vasinhos ali. Passa em torno de meia hora e é esperado;
- coração acelerado, tremor e sensação de nervosismo logo após a aplicação: também é o vasoconstritor, passa sozinho, e é isso que a maioria das pessoas descreve como “tive alergia à anestesia do dentista”;
- mal-estar, palidez, suor frio e quase desmaiar: é a reação vasovagal, o desmaio por agulha. É a intercorrência mais comum em procedimento de consultório, não é alergia e não impede nada.
Alergia verdadeira ao anestésico existe, mas é rara. Ainda assim, conte o que você sentiu: mesmo não sendo alergia, isso muda o preparo, e o procedimento é feito com você deitado, sem pressa, e sem que você venha em jejum prolongado.
Vou ficar com cicatriz?
Sim, sempre fica algum sinal. O que muda é o quanto ele aparece. Isso depende da lesão, do local, da técnica e do seu tipo de cicatrização, e é conversado antes.
Meu convênio cobre?
O atendimento aqui é particular e por reembolso: você paga a consulta ou o procedimento e depois solicita reembolso ao seu plano, conforme o contrato que você tem com ele. A equipe fornece a documentação necessária.
Preciso parar meu anticoagulante antes?
Não por conta própria: isso é decisão do médico que prescreveu. Na maior parte das pequenas cirurgias de pele não é preciso interromper. Avise sobre o uso na consulta.
Posso tirar várias lesões de uma vez?
Muitas vezes sim. Depende do tamanho, do local e do tipo de lesão. Quando não faz sentido reunir tudo num dia só, eu explico por quê.
Quanto tempo demora o resultado da biópsia?
Alguns dias, e o prazo varia com o laboratório e com o tipo de exame. Você é avisado assim que ele chega.
Para conferir as informações
- Sociedade Brasileira de Cirurgia Dermatológica — nevos e pintas
- Sociedade Brasileira de Cirurgia Dermatológica — queloide
- Sociedade Brasileira de Dermatologia — câncer da pele
- INCA — câncer de pele não melanoma
Se há uma lesão que incomoda você, seja pelo aspecto, pelo atrito ou pela dúvida que ela traz, uma avaliação presencial esclarece o que é e quais são as opções. Às vezes o melhor caminho é retirar; às vezes é só entender o que está ali.